Acompanhei junto com todo o país a luta de José Alencar contra o cancer. Muitas vezes, me perguntei:
— Se eu estivesse em sua situação, o que faria?
São pessoas como José Alencar, capazes de aceitar inclusive tratamentos experimentais, que deixam um legado. Os próximos doentes podem ser beneficiados pelos caminhos abertos.
No íntimo, eu me pergunto se não há um momento em que se decide dizer adeus. A medicina, com todos seus benefícios, também é cruel. Manter a vida, tratamento após tratamento, operação após operação, é doloroso. Existe um momento em que o sofrimento é maior que a vontade de viver?
Eu falo tudo isso porque já perdi entes queridos. E já me vi na situação de pedir a Deus para que tudo fosse rápido, para evitar o sofrimento. E depois, diante da perda, me arrepender dessas palavras e desejar ter de volta um dia, nem que fosse só um dia de vida, de volta.
Eu talvez seja fraco. Diante de um caso como o de José Alencar, digo intimamente que jamais teria a mesma coragem. A tudo que ele passou, assisti pela mídia. Não compartilhei as dores, as emoções, as esperanças sufocadas. Seu caminho de aceitação passou pela batalha. Mas eu sei que ele parte como um vencedor. A doença não é para ser negada. Nem a morte, que pode ser a última grande experiência da vida.

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