Foram-se os amores que tive ou me tiveram. Partiram num cortejo silencioso e iluminado. A solidão me ensina a não acreditar na morte nem demais na vida: cultivo segredos num jardim onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e os seus recados, e os olhos deles que ainda brilham como pedras de cor entre as raizesGuardei-me para ti como um segredo Que eu mesmo não desvendei: Há notas na guitarra que não toquei, Há praias na minha ilha que nem andei. É preciso que me tomes, além do riso e do olhar, Naquilo que não conheço e adivinhei; É preciso que me ensines a canção do que serei, e me cries com teu gesto que ainda nem sonhei.Que meus dedos não te prendam Mas contornem teu raro perfil Como lábios tocam um anel sagrado. Quero que o meu amor te seja enfeite E conforto, porto de partida para a fundação Do teu reino, em que a sombra Seja abrigo e ilha. Quero que o meu amor te seja leve Como se dançasse numa praia deserta. |
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Será?
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